Santos, 09 de setembro de 2010

Nesta terça-feira, dia 8, a greve dos Auditores-Fiscais em Santos ganhou a matéria de capa do jornal A Tribuna, o de maior circulação na baixada santista.
Com o título “Terminais de cargas já estão com capacidade esgotada”, a matéria explicou que a paralisação dos Fiscais, “tida como uma das mais graves já feitas pela categoria”, é a responsável pelo gargalo nos terminais.
Ouvido pela reportagem, o presidente da DS/Santos, Wellington Clemente Feijó, explicou: “não é nossa intenção causar prejuízo à sociedade, mas, infelizmente, enquanto o Governo não nos reconhece como autoridade fiscal, só nos resta este caminho”.
Já no jornal Expresso Popular, o enfoque foi a continuidade do movimento, decidido em assembléia. A reportagem ouviu o primeiro vice-presidente da Diretoria Executiva Nacional (DEN), Gelson Santos, que declarou: “Santos e Manaus são as cidades que mais sofrem com nossa paralisação, mas só com a greve o Governo presta atenção em nós, algo lamentável.”
Clemente destacou novamente na reportagem que, como o Governo não vem reconhecendo a importância da Classe, os Auditores decidiram manter a paralisação.
Veja a íntegra da matéria do jornal A Tribuna logo abaixo:
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Terminais chegam ao limite
Da Redação
Os terminais do Porto de Santos já estão com a capacidade esgotada para receber cargas de importação em razão da greve dos fiscais da Receita Federal, informou ontem a Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra). De acordo com o diretor executivo da entidade, José Roberto Sampaio Campos, ‘‘no que que diz respeito a contêiner de importação, a situação está super crítica’’. A paralisação dos servidores completa hoje 20 dias.
Apesar de não ser a de maior duração — nos anos de 2000 e 2002 os servidores cruzaram os braços por quase dois meses, intercalando breves retornos e operação padrão —, a greve atual é considerada uma das mais graves. ‘‘Hoje (ontem) é o dia ‘D’. A partir de agora, se o protesto continuar, a situação fica totalmente crítica’’, disse Campos pela manhã, enquanto os manifestantes decidiam em todo o País se continuavam ou não o movimento.
No fluxo inverso, da exportação, a operação está menos comprometida, afirmou o diretor da Abtra, destacando, no entanto, que se os contêineres de importação não são liberados, não é aberto espaço para a carga de exportação ser armazenada no pátio.
Alguns operadores de contêineres já estão ocupando parte de sua área de operação (corredores existentes entre as pilhas de contêineres, necessários para a colocação e retirada da carga) para armazenagem, diminuindo, assim, a velocidade de movimentação dos cofres.
À medida que o tempo passa, outro problema se avizinha. Sem espaço nos terminais para novas cargas, os navios que estão chegando não terão onde deixar as mercadorias. A saída será ou esperar abrir vaga nos terminais — o que demandaria altos custos, visto que o frete diário de uma embarcação custa milhares de dólares —, ou desviar a rota, evitando os complexos lotados.
A Tribuna entrou em contato com armadoras com rotas regulares no cais santista e com entidades de classe da navegação. Até ontem, ainda não havia notícia de que alguma embarcação tivesse desviado da região.
Auditores decidem manter protesto
Da Redação
Os auditores fiscais decidiram manter a greve por tempo indeterminado, depois de realizarem assembléia ontem em todo País. Conforme o presidente da delegacia fiscal de Santos, Wellington Clemente Feijó, foram duas horas de debate na região.
‘‘Vamos continuar o movimento nacional até que o Governo nos apresente uma proposta que reconheça o valor da essencialidade do nosso cargo. O Governo apresentou uma proposta incompleta, que não corresponde à nossa retribuição’’, afirmou Feijó. A categoria pede equiparação salarial com os delegados da Polícia Federal, que ganham cerca de R$ 18 mil. O salário de um auditor em início de carreira é de R$ 10 mil.
De acordo com Feijó, ‘‘não é nossa intenção causar prejuízo à sociedade, mas, infelizmente, enquanto o Governo não nos reconhece como autoridade fiscal, só nos resta esse caminho’’. Ele destacou que, conforme manda a lei, 30% dos audidores estão trabalhando para liberar cargas essenciais, como perecíveis e medicamentos. Cerca de 250 fiscais atuam na região, sendo 150 na Alfândega e 100 na delegacia da Receita.
Valor de cargas retidas atinge US$ 450 milhões
Da Redação
Já chega a quase US$ 450 milhões o valor das cargas paradas no Porto de Santos e em aeroportos da Região Metropolitana de São Paulo devido à greve dos auditores fiscais da Receita Federal, informou ontem o diretor de Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Martins. De acordo com ele, 80% das mercadorias estão no cais santista.
Até a última quinta-feira, o montante retido nesses complexos girava em torno de US$ 350 milhões. De acordo com Martins, em média, o equivalente a US$ 25 milhões se avoluma por dia no porto e nos aeroportos.
‘‘Nós estamos entregues a essa situação que não corresponde àquilo que se espera de um País que pretende participar do mercado globalizado’’, afirmou Martins, que continuou: ‘‘A nossa sensação é de impotência’’. Na última semana, o Ciesp obteve na Justiça liminar (decisão provisória) para garantir o desembaraço das cargas.
O executivo acredita que o próximo passo seja mesmo o desvio dos navios. ‘‘Não há mais espaço para receber contêineres em função dos que já estão retidos. Os navios vão acabar indo para portos de outros países, como Uruguai e Argentina’’, concluiu, o que irá onerar ainda mais a cadeia, uma vez que a carga terá de ser transportada para o destino original.